Entrevista Claudia Lemes

Venha conhecer uma das autoras mais promissoras do gênero terror nos últimos tempos. Aqui, Claudia Lemes fala sobre sua trajetória, dificuldades, sonhos e projetos futuros.

ENTREVISTAS

Landerson Rodrigues

6/25/20258 min read

Nome: Claudia Lemes

Livros: Aqueles que Enterrei, Medeia Morta, Quando os Mortos Falam, Inferno no Ártico (Entre outros)

Gêneros que escreve: Thriller, Suspense e Horror.

Público Alvo: Adultos

Mini Biografia: Cláudia Lemes é orgulhosamente uma autora de thrillers: seus livros são recheados de tensão, diálogos afiados, personagens moralmente questionáveis e muita adrenalina. A autora foi duas vezes finalista do Prêmio Jabuti (em 2022 com Quando os Mortos Falam e em 2024 com Medeia Morta) e tem uma carreira dedicada a fortalecer o thriller no Brasil — fundou a ABERST: Associação Brasileira de Escritores de Romance Policial, Suspense e Terror, é mentora de autores e professora de escrita, além de uma referência em leitura crítica. Além disso, ela é ghostwriter de obras de não-ficção com mais de vinte livros nesta parte de seu currículo.

Ela continua se dedicando à literatura e ao mercado editorial em seu pequeno escritório em Santos, SP, onde mora com o marido e os três filhos.

Onde encontrar seus livros: Amazon, livrarias físicas e digitais.

1 - Quando e porque você começou a escrever?

Comecei a escrever livros longos aos 13 anos. Havia mil histórias em mim que eu, leitora compulsiva, tinha vontade de ler, mas não encontrava. Portanto, decidi criar as minhas e fiquei viciada na sensação.

2 - Qual foi a sua inspiração inicial?

Sempre me inspirei no horror, desde pequenininha. Tudo o que era misterioso e sombrio me atraía. Quando comecei a brincar de criar minhas histórias, não importava o gênero, todas eram sobre o lado estranho do ser humano.

3 - Como você se firmou um/uma escritor (a) nesse gênero que escreve atualmente?

Escrevendo e publicando o mesmo gênero com consistência foi o que me ajudou a me conectar, bastante rápido, com meu público. Lancei um livro independente em 2014, Eu Vejo Kate, que conquistou muitos leitores, e rapidamente chamou a atenção de uma editora, que o publicou. Depois disso, foi questão de usar as redes sociais e os eventos presenciais para conversar com meus leitores e leitores em potencial.

4 - Pretende escrever outros tipos de gêneros? Quais e Por quê?

Sim, acho que vou escrever diversos gêneros na minha carreira. No passado escrevi western e suspense erótico, por exemplo, e amei a experiência. É importante focar em um gênero específico por questões de identidade e público, mas acho que o autor merece dançar fora do seu círculo também. No momento estou publicando uma série de 4 livros eróticos no app Pulse como autora fundadora, e ainda quero escrever outros gêneros (sci-fi, western), talvez misturando-os com um toque de horror e suspense.

5 - Quem é/são suas/sua inspiração (ões)?

Eu me inspiro muito na escrita e histórias de diversos autores, mas tenho focado em fortalecer meu estilo próprio desde que comecei. Gosto muito da Anne Rice, do Clive Barker, do Kurt Vonnegut, do Stephen King e James Ellroy.

6 - Qual sua lembrança mais bonita no ramo literário enquanto escritor(a)?

Ver os autores vencedores do Prêmio Aberst – que eu idealizei -, por exemplo, é sempre muito emocionante para mim. Abraçar meus amigos de profissão e leitores na Bienal, idem. Algumas memórias que se destacam são a da última Bienal em São Paulo, em que eu estive palestrando no palco principal, e os dias em que soube que fui finalista do Prêmio Jabuti, porque pude comemorar em família. Foram dias fortes.

7 - Qual sua pior lembrança no ramo literário enquanto escritor(a)?

Creio que as decepções relacionadas aos bastidores. Editoras que querem publicar você, mas depois voltam atrás porque têm medo de publicar obras mais controversas e serem canceladas. Colegas que te usam para chegar onde querem e depois te descartam. A briga de egos, a inveja... mas isso infelizmente encontramos em todos os ramos. Eu aprendi a lidar bem e hoje não me abala muito.

8 - Em sua opinião, é possível viver da venda de livros no Brasil?

Apenas de royalties, mesmo sendo um autor muito vendido, eu acho raríssimo, principalmente para quem tem família para sustentar. Mas dá para viver muito bem de literatura, oferecendo serviços literários, dando cursos e palestras, se você é bom no que faz.

9 - Qual o seu maior sonho na carreira de escritor(a)?

Eu já realizei todos os meus sonhos na carreira. Não tenho mais nada a provar para ninguém. Hoje meu foco é ter cada vez mais tempo para escrever meus livros e continuar encantando os meus leitores.

10 - Como você descreve a sensação de ter obras escritas e publicadas?

A gente se acostuma com tudo. Chega uma hora em que ver seus livros na livraria não tem mais aquele impacto da primeira vez. Acho que a melhor sensação continua sendo a recepção dos seus leitores ao seu lançamento, sabe? E depois de alguns meses a vida volta ao normal e você foca no próximo livro.

11 - Qual o tipo de publicação você pratica hoje em dia e por quê? (Independente, editora, catarse...)

Eu tenho mais liberdade hoje, então sempre penso no meu momento. Quando eu tenho gás, eu banco uma publicação independente, que me dá muito mais liberdade e dinheiro. Mas isso é raro, porque trabalho demais em outras coisas e nem sempre consigo publicar meus livros. Os últimos todos foram por meio de editoras – HarperCollins e Avec.

12 - Você tem algum ritual antes de começar uma sessão de escrita?

Não. Eu sou de poucos melindres. Se eu tenho a sorte de encontrar uma brecha, um tempinho para escrever, eu só escrevo.

13 - Qual a maior dificuldade de ser escritor no Brasil?

O leitor. O leitor diz que quer obras nacionais, mas quer os gringos e quando lê um nacional é quase como um favor. Os influencers que toleram furos absurdos de autores gringos mas procuram qualquer vírgula fora do lugar para criticar os nacionais. As editoras, que só publicam nacionais de gênero para não serem criticadas, e não investem nada no marketing dos mesmos. Os próprios autores, se apunhalando pelas costas. Só que aí também temos leitores que lutam muito pelos seus autores preferidos, influencers que se esforçam para dar holofote aos nacionais, editoras pequenas lutando contra tudo para publicar nossas obras e autores que estendem a mão para os colegas. Tem de tudo. O maior problema do autor nacional, no fim, é ganhar a visibilidade que ele precisa para conquistar uma quantidade sustentável de leitores. E isso hoje só é feito pelas redes sociais, que consomem muito tempo e energia.

14 - Qual a parte mais desafiadora de escrever um livro?

Confiar que o processo não vai ser perfeito, mas o resultado vai ser bom. Vai ser normal perder o tesão pela história às vezes, ou não ter tempo, ou ficar bloqueado, ter que reescrever quase tudo diversas vezes. Isso tudo faz parte do processo criativo, mas muitos autores não conseguem prever isso, e empacam quando acontece.

15 - Se tiver mais de um livro, qual foi o mais difícil de deixar pronto e por quê? Se tiver apena sum, cite a parte mais difícil de escrita do seu livro.

Eu não tenho lembranças de sofrer muito escrevendo nenhum livro meu. Geralmente deixo a ideia amadurecer muito antes de partir para a escrita mesmo, e isso me ajuda. Nunca levei mais de 3 meses para escrever um livro.

16 - O que um leitor que não conhece seu trabalho pode esperar das suas obras?

Meus livros falam sobre as piores coisas que as pessoas fazem umas com as outras, então espere uma escrita crua, com sangue, violência e sexo. Espere personagens realistas e complexos, e uma construção de narrativa detalhada. Eu não escrevo para quem quer só bater meta de leitura. Escrevo para adultos que realmente amam ler.

17 - Consegue descrever a sensação de ter o seu primeiro livro publicado?

Foi bem surreal. Eu me lembro de estar bem empolgada, deslumbrada e com um pouco de frio na barriga na época. Foi muito bom, mas exigiu maturidade.

18 - Você já duvidou de seu potencial? Se sim, por quê?

Não. Eu sei que a primeira reação das pessoas ao ver uma mulher falando que confia no seu talento é “nossa, como ela é arrogante”. Não é isso. Eu sou deslumbrada com a escrita de muitos autores. Eu leio alguns deles e penso “eu NUNCA vou chegar nesse nível”, e isso me empolga. Isso me dá perspectiva, me motiva a querer melhorar. Ao mesmo tempo, eu sei que escrevo bem. E ainda mais importante – eu amo o que escrevo, no sentido de que eu adoro escrever thriller e horror de entretenimento e não me sinto nem um pouco frustrada por não escrever romances literários. Estou onde quero estar, fazendo o que amo. E isso é libertador.

19 - Você tem projetos futuros? Se sim, quais?

No momento, estou focada no lançamento de Aqueles que Enterrei. Em breve começo a escrever um novo livro.

20 - Quais conselhos você daria para quem está iniciando?

Aceite que você vai ter que usar alguma rede social para ser visto. Estude escrita. O que mais tem no mercado são ideias boas, pessimamente executadas. Não adianta escrever sem publicar. Escreva e publique, pelo menos um livro por ano. Pare de pensar em editoras. Pense em público.

ISSO OU AQUILO (resposta da Claudia em NEGRITO)

Vender mais de mil exemplares físicos ou mais de mil exemplares digitais.

Vender 500 exemplares na bienal ou palestrar numa edição de bienal internacional.

Publicar um livro por editora ou fazer todo o projeto independente.

Ter dez mil leitores fixos e fanáticos ou quinhentos mil seguidores no instagram.

Publicar um livro por ano ou participar de antologias sazonais.

Ganhar o prêmio Jabuti ou ter a obra traduzida para outros idiomas.

Ser um milionário literário por um único trabalho ou um Best Seller por cada lançamento feito.

Escrever um calhamaço de mil páginas ou uma história consisa de trezentas páginas.

BATE BOLA (resposta da Claudia em NEGRITO)

Praia ou Piscina.

Doce ou Salgado.

Dia ou Noite.

Inverno ou Verão.

Pastel ou Coxinha.

Brigadeiro ou Beijinho.

Bienal do Rio ou Bienal de SP.

Uma lema de vida: Como você faz uma coisa é como você faz tudo.

Você por você em uma palavra: Feliz

Um Livro: As Cinzas de Ângela

Um Filme: Los Angeles – Cidade Proibida

Um Autor(a): Anne Rice

Uma música: Let the River Run - Carly Simon

Um(a) cantor(a)/banda: Aerosmith

Uma mania/vício: Morder a pele em volta da minha unha.

Eu sou um autor (a): Honesta em todos os sentidos – comigo, com meu leitor, com minha arte.

Não vivo sem: Meus filhos.

Tenho medo de: Palhaços bonecos de ventríloquo.

Livros